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Saúde
Terça - 07 de Fevereiro de 2006 às 10:29

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O tipo específico do vírus HIV no corpo de cada paciente pode ser o fator mais importante para determinar em quanto tempo ele morrerá, disseram pesquisadores dos EUA e de Uganda na segunda-feira.
Eles concluíram que pessoas infectadas com o subtipo D do HIV morrem mais rapidamente que as vítimas do subtipo A.

Participando de uma conferência, os pesquisadores disseram que o subtipo do vírus é um indicador de risco melhor do que a carga viral — a quantidade de vírus na corrente sanguínea.

"Saber o subtipo de HIV de uma pessoa é importante para o controle da infecção, porque a doença pode progredir mais rapidamente naqueles infectados pelo subtipo D do que naqueles com outros subtipos", disse Oliver Laeyendecker, da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, responsável pelo estudo.

Se o soropositivo tiver a sorte de receber tratamento médico adequado, um exame de DNA pode determinar a que subtipo pertence o vírus, o que será muito útil no tratamento, segundo os pesquisadores.

Mais de 40 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV, que é incurável e fatal. A doença matou mais de 3 milhões de pessoas em 2005 e contaminou 5 milhões de novos pacientes, segundo a ONU. A África é, de longe, o continente mais atingido.

O vírus já se dividiu em nove subtipos, mais ou menos segundo critérios geográficos. Por exemplo, os A e D são comuns em Uganda (centro da África), enquanto o C circula em Botsuana, Africa do Sul, Índia e parte da China. O subtipo B é encontrado principalmente na Europa e nos Estados Unidos.

Os pesquisadores ainda não sabem se é importante levar em conta os subtipos no desenvolvimento de eventuais vacinas contra a Aids.

Laeyendecker, Maria Wawer, Thomas Quinn e seus colegas estudaram o grupo étnico-social ugandense Rakai, composto por cerca de 12 mil indivíduos. Os voluntários eram submetidos a exames anuais, para que os pesquisadores descobrissem quando cada paciente era contaminado e pudessem traçar o padrão da epidemia em Uganda.

Eles se concentraram então sobre cerca de 300 homens e mulheres infectados entre 1995 e 2001. Desse total, 53 portavam o subtipo A, e 203 tinham o D. Outros 70 estavam contaminados com um vírus que misturava as linhagens genéticas dos subtipos A e D.

Dez por cento dos infectados pelo subtipo D morriam em um prazo de três anos após a contaminação, mas nenhuma vítima do subtipo A morreu tão rápido, segundo declaração dos pesquisadores à Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, em Denver.

Na média, as pessoas infectadas com o subtipo A viviam 8,8 anos. As vítimas do subtipo D viviam 6,9 anos em média, e os portadores de vírus "mistos" A-D tinham sobrevida de apenas 5,8 anos.

Em países mais desenvolvidos, os médicos normalmente monitoram o HIV por meio da carga viral. Os atuais coquetéis medicamentosos reduzem a carga a níveis baixíssimos, e os pacientes normalmente começam a apresentar sintomas da Aids se o nível sobe.

Mas, no grupo Rakai, a carga viral variava muito, e isso não servia para mostrar quem morreria antes, segundos os pesquisadores.

A equipe da Johns Hopkins disse que o subtipo D pode ser mais virulento que o A por usar múltiplas portas de entradas, chamadas de receptores, para terem acesso às células-T do sistema imunológico humano.

O HIV do subtipo A usa apenas um receptor, o CCR5, que infecta as células-T. Mas os pesquisadores descobriram que 24 por cento dos vírus do subtipo D usam também um receptor chamado CXCR4. Dois terços dos pacientes cujo vírus usaram o CXCR4 morreram em um prazo de três anos, segundo os cientistas.

Um estudo anterior, feito no Senegal, mostrou que mulheres com os subtipos C, D e G tinham mais propensão a desenvolver sintomas da Aids num prazo de cinco anos do que mulheres com o subtipo A.





Reuters




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