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Saúde
Terça - 21 de Fevereiro de 2006 às 08:36

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Cientistas reunidos num congresso em St. Louis, nos Estados Unidos, advertiram que novas doenças infecciosas estão aparecendo a uma velocidade excepcional, com os seres humanos acumulando cerca de um novo elemento patogênico por ano.

Segundo disse um dos cientistas, isso significa que as agências oficiais e os governos têm que trabalhar mais duro do que nunca para enfrentar as ameaças.

A maioria das novas doenças aparecidas nos últimos anos, como a gripe aviária ou a Aids, está vindo de outros animais.

“Essa acumulação de novos elementos patogênicos tem acontecido há milênios – foi assim que adquirimos a tuberculose, a malária e o sarampo”, disse o epidemiologista Mark Woolhouse, da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

“Mas, no momento, essa acumulação parece estar indo rápido demais”, disse ele.

“Então parece que há algo de especial sobre os tempos modernos – eles são tempos bons para os elementos patogênicos invadirem a população humana”, completou.

Novos agentes

Woolhouse catalogou mais de 1,4 mil agentes diferentes de doenças em humanos. A cada ano, os cientistas estão descobrindo um ou dois novos agentes.

Alguns deles podem estar ativos há tempos, mas somente agora foram descobertos. Outros, que apareceram recentemente, são completamente novos, como o HIV, o vírus da Sars e o agente causador da doença da vaca louca.

A diferença hoje, segundo os pesquisadores, é que os seres humanos estão interagindo com animais no seu ambiente.

Mudanças no uso da terra por meio do desflorestamento, por exemplo, podem levar os humanos a entrar em contato com novos elementos patogênicos. Outras mudanças na agricultura, como a criação de animais exóticos, têm efeito parecido.

Outros elementos importantes incluem as viagens internacionais, o comércio global e a hospitalização.

Disseminação

A velocidade rápida na qual os elementos patogênicos estão aparecendo significam que os especialistas em saúde pública precisarão trabalhar mais duro do que nunca para controlar a disseminação de novas ameaças.

“O tipo de imagem do qual eu quero me distanciar é a famosa declaração dos anos 1960 quando o Cirurgião Geral dos Estados Unidos (cargo do segundo escalão da secretaria da Saúde) disse que ‘as doenças estão vencidas’”, disse Woolhouse.

“Os elementos patogênicos estão desenvolvendo maneiras de combater nossos métodos de controle. A figura está mudando e parece que vai continuar a mudar”, disse. “Vamos ter que correr o mais rápido possível para ficar no mesmo lugar.”

“Precisamos de vigilância. A vigilância na maior parte do mundo contra doenças infecciosas é bastante deficiente – particularmente a vigilância para doenças infecciosas em animais.”




BBC, em Londres




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