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Astronomia
Domingo - 09 de Abril de 2006 às 09:32

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A viagem do tenente-coronel da Força Aérea Brasileira Marcos César Pontes à Estação Espacial Internacional, ISS, concretizou o sonho de dar visibilidade ao programa espacial desenvolvido pelo país, permitindo sua entrada no mercado da indústria do setor. "Valeu a pena", disse Pontes, logo após o pouso, no deserto do Cazaquistão.

A nave Soyuz que trouxe de volta à Terra o primeiro cosmonauta brasileiro e seus companheiros de viagem, o norte-americano William McArthur e o russo Valery Tolkarev, da Estação Espacial Internacional (ISS), aterrissou na madrugada deste domingo (hora local) - numa manobra que obedeceu a todos os requisitos técnicos e aos cronogramas estabelecidos, informou o Centro de Controle Espacial russo.

Emoção à parte, a viagem não deixou de abrir uma oportunidade futura para "empresas brasileiras de realizar contratos paralelos de exportação, de modo a gerar mais desenvolvimento tecnológico, saldo na balança comercial e mais empregos", como declarou o cosmonauta em entrevista recente.

A viagem de um brasileiro à estação orbital havia sido planejada desde 1997, após a assinatura de um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos, segundo o qual o país, através da Agência Espacial Brasileira (AEB), teria o direito à participação científica na ISS, com tripulante incluído, em troca de equipamentos fornecidos à cota da Nasa (agência espacial norte-americana) para a montagem da estação.

No entanto, a revisão da participação brasileira (de uma estimativa inicial de US$ 120 milhões em cinco anos para um teto de US$ 10 milhões ao ano desde 2003) e a suspensão do programa de ônibus espaciais da agência norte-americana levaram o Brasil a aceitar um convite feito pela Roscosmos (agência espacial russa) para enviar ao espaço seu astronauta ainda neste ano.

A assinatura de um contrato comercial, em outubro de 2005, entre a AEB e a Roscosmos, viabilizou a viagem. Devido aos altos custos, a missão foi cercada de polêmica no Brasil, tendo sido defendida e criticada por vários cientistas.

Para o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, por exemplo, autor de mais de 40 livros sobre astronomia e espaço, entre eles o recém publicado "Anuário de Astronomia 2006" não vale a pena pagar tanto. Segundo Morão, decidir enviar o brasileiro agora "foi uma decisão precipitada", pois antes de se pensar em ir ao espaço, teríamos que começar a desenvolver o nosso próprio foguete. Para o astrônomo, até mesmo batizar a missão como Centenário para homenagear Santos Dumont foi inadequado. "Santos Dumont voou por seus próprios meios", afirmou, em alusão ao 14 BIS. Nos oito dias em que ficou a bordo da ISS, Pontes realizou, com sucesso, oito experiências nas áreas de biotecnologia, microeletrônica, mecânica e biologia.

Referências ao país também não faltaram na bagagem do cosmonauta, que levou uma réplica do chapéu de Santos Dumont, uma bandeira do Brasil que o acompanha desde o início do treinamento na Nasa, em 1998, uma bola verde e amarela e duas camisetas: uma da seleção brasileira de futebol e outra estampada com o rosto de Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar ao espaço, em 1961. Junto a 10 patches das instituições que apóiam a missão (FIESP, Senai-SP, Sesi e Força Aérea Brasileira), ele também levou fotos da família e uma camiseta de seus alunos de sua cidade natal, Bauru (a 325 km de São Paulo, sudeste).

O protagonista da primeira e histórica viagem de um brasileiro ao espaço, permaneceu oito dias a bordo da Estaçao Espacial Internacional, tendo partido da base de Baikonur, no Cazaquistão, no dia 30 de março. Na chegada à Terra, o cosmonauta russo foi o primeiro a deixar a cápsula, seguido de Pontes e MacArthur, sendo levados logo para uma tenda armada nas estepes russas para aguardar o traslado à base.

Quinze aparelhos russos, entre helicópteros e aviões, assim como um hospital ambulante norte-americano e veículos especiais se prepararam para as primeiras assistências aos cosmonautas, informou o general Vladimir Popov do serviço russo de resgate e salvamento. A chegada de Pontes à estação espacial internacional e todo o trajeto realizado despertou enorme expectativa no Brasil, mas o cosmonauta não teve problemas de adaptação, segundo o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) a partir dos contatos mantidos com o centro de controle da missão, em Korolev (arredores de Moscou).








Redação HomeNews com AFP




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