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Ciência
Quinta - 20 de Abril de 2006 às 09:50

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Um debate travado há vários anos por parte da comunidade científica acaba de ganhar novo fôlego. O motivo é um artigo assinado pelo argentino Sebastian Apesteguía e pelo brasileiro Hussam Zaher, na edição da revista Nature desta quinta-feira (20).

O texto descreve o fóssil descoberto em 2003 por Apesteguí, do Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia. “O fóssil corresponde à serpente mais primitiva encontrada até o momento que aponta para uma origem terrestre desses animais”, disse Zaher, professor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

Defensor de que o grupo das serpentes surgiu na terra, e não no mar, como outros estudiosos afirmam, o pesquisador brasileiro comemora o preenchimento de uma lacuna importante na escala evolutiva desse grupo dos vertebrados. “O fóssil descrito tem 70 centímetros de comprimento, com patas posteriores entre 15 e 20 milímetros”, conta.

No mesmo sítio paleontológico da Patagônia argentina, localizado na província de Rio de Negro, outros fragmentos possivelmente da mesma espécie também foram encontrados e estão sendo analisados. “Provavelmente havia animais maiores, com 1 metro de comprimento”, aponta Zaher.

O artigo da Nature, que mesmo antes da publicação foi alvo, nos últimos dias, de discussões entre os grupos contra e a favor da origem terrestre das serpentes, apresenta a espécie descoberta. Nomeada de Najash rionegrina, ela teria vivido há 90 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior.

Além das patas, a presença de um sacro, estrutura óssea que faz a ligação entre os membros e a coluna vertebral, também chamou a atenção da dupla. Provavelmente, segundo eles, a espécie agora descrita tinha o hábito secretivo.

Na teoria defendida por Zaher e Apesteguí, as serpentes surgiram no ambiente terrestre, há pouco mais de 140 milhões de anos. No início, todas as espécies tinham um par de patas posterior e outro anterior, como existe nos lagartos, grupo ancestral das serpentes.

Os dois membros próximos à cauda teriam sido os últimos a desaparecer, por causa, das pressões ambientais sofridas ao longo da evolução. “Claro que outros fósseis mais primitivos serão descobertos, mas, por enquanto, esse é mesmo o mais antigo”, afirma Zaher.

O artigo A Cretaceous terrestrial snake with robust hindlimbs and a sacrum pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com







Agência Fapesp




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