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Ciência
Quinta - 20 de Abril de 2006 às 09:55

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Embaixo do gelo da Antártida há rios tão grandes como o Tâmisa, na Inglaterra, que podem conectar lagos subglaciais. Pelo menos, é o que afirmaram cientistas britânicos na última quarta-feira.

Os pesquisadores afirmaram que a constatação põe em dúvida a idéia de que os lagos que ficam sob o gelo antártico evoluíram de forma independente, e que portanto poderiam sustentar vida de animais antigos.

"Antes se achava que a água se movimentava sob o gelo na forma de uma infiltração bem lenta", disse o professor Duncan Wingham, do University College London (UCL), que liderou a equipe de pesquisadores. "Mas esses novos dados mostram que, às vezes, os lagos que ficam sob o gelo estouram como rolhas de champanhe, liberando águas que percorrem grandes distâncias".

Os cientistas gostariam de perfurar o gelo para obter amostras dos lagos, mas tinham medo de contaminá-los com novos organismos. "Pensávamos nesses lagos como laboratórios biológicos isolados. Vamos ter de repensar isso", acrescentou Wingham num comunicado.

A pesquisa, descrita na revista Nature, também significa que a água dos lagos antárticos, descobertos pela primeira vez nos anos 1960, pode ter transbordado para o oceano no passado, e que isso pode ocorrer novamente.

Já se descobriram cerca de 150 lagos subglaciais na Antártida, mas os cientistas acreditam que pode haver milhares deles. O lago Vostok, de 15-20 milhões de anos, é considerado o mais antigo.

Os cientistas do UCL e do Centro para Observação e Modelagem Polar do Conselho de Pesquisa do Ambiente Natural encontraram os rios ao analisar alterações em medições feitas pelo satélite ERS-2, da Agência Espacial Européia, em uma região da Antártida Oriental conhecida como Domo Concórdia.

Eles suspeitam que as alterações no lençol de gelo mostrem um fluxo de água de um lago subglacial para outros. "Os lagos são como um conjunto de contas num fio, em que os lagos são as contas, conectadas por um fio que é um rio", disse Wingham.

Os cientistas acreditam que, quando a pressão em um dos lagos aumenta, o fluxo de água enche a próxima "conta" da corrente. Mas eles não sabem se ocorre ou não uma reação em cadeia em toda a corrente.




Reuters




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