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Ciência
Quinta - 20 de Abril de 2006 às 12:02

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As bactérias estão por toda parte, silenciosamente realizando seu trabalho de decompor celulose, fermentar alimentos ou fixar nitrogênio no solo, entre um sem-número de outras atividades. Dada a sua onipresença e diversidade de funções, os biotecnólogos vêm procurando novas utilidades para classes diferentes dos organismos microscópicos, como consumir vazamentos de petróleo ou mesmo capturar imagens.

Agora os biólogos do University College de Dublin, Irlanda, descobriram que uma classe de Pseudomonas putida pode sobreviver feliz com uma dieta de puro óleo de estireno - o óleo remanescente do isopor superaquecido - e, no processo, transformar o problema ambiental em plástico útil e biodegradável.

Kevin O'Connor e seus colegas europeus transformaram o poliestireno em um óleo por meio de pirólise - processo que aquece o plástico derivado do petróleo a 520°C na ausência de oxigênio. Isto resulta em um coquetel químico constituído de mais de 80% de óleo de estireno, além de volumes baixos de outros tóxicos. Os pesquisadores então ofereceram essa mistura à P. putida CA-3, uma classe especial de um micróbio do solo comum, achando que o óleo teria de ser purificado ainda mais para permitir o crescimento bacteriano.

Mas as bactérias prosperaram sob essa dieta nova, transformando 64 gramas de óleo de estireno não-destilado em cerca de 3 gramas de bactérias adicionais. No processo, as bactérias armazenaram 1,6 grama de energia do óleo de estireno em forma de um plástico biodegradável denominado poliidroxialcanoato (PHA). Este plástico consegue suportar o calor, mas também se decompõe de maneira mais fácil no meio ambiente do que produtos derivados do petróleo. Desse modo, embora o processo biologicamente acionado resulte em certos subprodutos tóxicos, como tolueno, e necessite de muita energia para acionar a pirólise, ele traz a esperança de que o isopor - e a molécula de poliestireno que o compõe - possam se tornar mais amigáveis ao meio ambiente.

Isto seria ótimo para grandes produtores de poliestireno. Os Estados Unidos, por exemplo, produziram 3 milhões de toneladas do produto em 2000, e descartaram 2,3 milhões de toneladas do material, que permanece longos anos em aterros sanitários. O PHA desse processo poderia servir para fins mais produtivos; ele já vem sendo usado para produzir desde garfos até vitaminas. E o processo poderia ser útil não apenas para nos livrarmos de copos descartáveis. "Devido à aplicabilidade geral da pirólise para a conversão do plástico em um óleo e ao grande número de microorganismos capazes de acumular PHA de uma grande variedade de moléculas, o princípio do processo descrito aqui pode se aplicar à reciclagem de qualquer refugo plástico petroquímico", afirmam os cientistas. Um estudo que detalha o método sai na edição de abril da revista Environmental Science & Technology.





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