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Ciência
Segunda - 24 de Abril de 2006 às 09:18

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Uma equipe de cientistas australianos e espanhóis demonstrou que células cancerígenas podem desativar zonas de DNA e, assim, aumentar sua capacidade destrutiva.

"Até agora se acreditava que genes individuais que evitam o crescimento dos tumores podiam ser desativados por células cancerígenas, mas agora sabemos que, no caso do câncer de colo, por exemplo, todos os genes que se encontram em uma mesma zona são desativados pelas células cancerígenas, e isso dá a estas células muito mais poder do que se imaginava", explicou Susan Clark, uma das diretoras do projeto.

Susan, pesquisadora do Instituto Garvan de Sydney, dirigiu junto com o espanhol Miguel A. Penteado, do Hospital Duran i Reinals da cidade de Hospitalet de Llobregat (Barcelona), a tese doutoral de Jordi Frigola, que pesquisou na Austrália essa teoria, publicada na revista Nature Genetics.

Este fenômeno de desativação dos genes é chamado pelos cientistas de epigenética. Um dos processos pelo qual ele normalmente ocorre é a metilação, que afeta todos os genes que se encontram na zona, conhecidas como subúrbios, fazendo com que sofram uma mutação e sejam "silenciados" ou "emudecidos". O que os cientistas descobriram é que os genes que não foram submetidos à metilação e que residem em um subúrbio próximo a genes que sofreram esse processo também são silenciados.

"Simplificando muito, poderíamos dizer que os genes bons, os que evitam o crescimento dos tumores, são pressionados pelos genes maus, os que fazem com que cresçam os tumores, e acabam se comportando todos como genes maus", acrescentou Susan. A equipe criou um novo método para escanear o complemento inteiro dos mais de 30 mil genes, o genoma inteiro, de mostras de tecido de câncer, o que lhes permitiu identificar as mudanças ocorridas em partes específicas do genoma.

Segundo Susan, ao entender melhor o comportamento das células cancerígenas será mais fácil detectar o câncer e melhorar seu tratamento.






EFE




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