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Ciência
Quarta - 03 de Maio de 2006 às 10:24

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Uma vacina contra a gripe aviária que está em fase experimental pode proteger não só contra o vírus H5N1, mas também contra outras formas de gripe, disseram pesquisadores na terça-feira.

Experiências em ratos e furões (tipo de mamífero) mostram que a vacina, desenvolvida pelo laboratório Vical, de San Diego, Califórnia, protege os animais contra o vírus H5N1, da gripe aviária. Além disso, protegeu os ratos também contra os vírus da gripe sazonal humana, o que significa que os cientistas podem estar no caminho de uma vacina "universal".

Mas Richard Webby, do Hospital Infantil de Pesquisas Saint Jude, de Memphis, Tennesse, que examinou a vacina, minimizou sua importância imediata. "É algo promissor, pelo menos em ratos, mas os ratos são provavelmente os mais fáceis dos animais para obtermos esta proteção cruzada, eu acho", afirmou Webby por telefone.

Apesar disso, a notícia fez as ações da Vical dispararem. Ao meio-dia, elas eram negociadas a 7,02 dólares, alta de 27 por cento.

Webby disse que o próximo passo é descobrir se a nova vacina também dá proteção universal aos furões, animais considerados o melhor "modelo" para infecções humanas da gripe.

"Uma vacina universal é o grande objetivo. Há várias abordagens tentando chegar lá, e esta é uma delas", explicou Webby.

A criação de uma vacina universal significaria que não é necessário formular uma nova vacina a cada temporada de gripe e que haveria chance de armazenar o produto antes de uma eventual pandemia.

Os vírus da gripe sofrem mutações facilmente, e por isso a vacina para a gripe sazonal precisa ser reformulada todos os anos.

Por enquanto, não há casos de transmissão da gripe aviária entre humanos - só de animais para pessoas. Mesmo assim, a doença atingiu 205 pessoas e matou 115 desde 2003. Cientistas temem que o vírus H5N1 sofra uma mutação que permita o contágio entre pessoas e provoque uma pandemia com milhões de mortos.

As atuais vacinas ativam uma reação imunológica contra as regiões mais propensas a mutações no vírus, razão pela qual precisam ser alteradas todos os anos. Por isso, as vacinas contra o H5N1 que estão sendo desenvolvidas agora provavelmente não serviriam em caso de pandemia.

Mas há partes do vírus que sempre se conservam ¿ ou seja, não sofrem mutações. Especialistas tentam formular uma vacina que ajude o sistema imunológico a reconhecer essas proteínas.

A vacina da Vical usa três pedaços de DNA ¿ a parte "H5N1" do nome H5N1, relativa a genes que não são tão sujeitos a mutações -, além da nucleoproteína (NP) e da proteína matriz (M2).

Todos os ratos e furões que receberam essa vacina e foram expostos à forma humana do vírus H5N1 sobreviveram.

Ratos vacinados com uma versão simplificada, que só continha a NP e a M2, também estavam protegidos contra o H5N1, segundo o laboratório. Isso sugere ¿ sem comprovar ¿ que a vacina garante proteção contra vários vírus.

Fabricar vacinas contra a gripe é um grande negócio. Uma entidade do setor diz que há 31 vacinas contra a gripe aviária, de 15 laboratórios (de Austrália, Áustria, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Suíça, Grã-Bretanha e Estados Unidos), em estágios de testes humanos ou clínicos.

Uma delas, do laboratório Merck, também se dispõe a ser uma vacina universal e tem como base a M2.

O grupo de pesquisas Datamonitor acredita que o mercado da vacina contra gripe pode superar os 3 bilhões de dólares até 2010 só nos sete principais mercados. Em 2005, o setor movimentou 1,6 bilhão de dólares.





Reuters




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