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Saúde
Quinta - 11 de Maio de 2006 às 11:53

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Vencer o mal com o mal para curar os dependentes da heroína: é o que propõe a dirigente do governo alemão da luta contra as drogas, Sabine Baetzig, do Partido Social-democrata (SPD), em um projeto polêmico entre a "grande coalizão", liderada pela chanceler democrata-cristã (CDU) Angela Merkel.

A idéia não é nova. A especialista se baseia em um estudo realizado durante três anos pelo professor Christian Haasen, diretor do Centro de Pesquisas sobre o Vício das Drogas da Universidade de Hamburgo (norte), em sete cidades alemãs.

Em Hamburgo, Bonn, Hanover, Colônia, Frankfurt, Karlsruhe e Munique vários dependentes foram curados com heroína.

Os 1.120 pacientes tratados são viciados em heroína que não conseguiam se livrar de sua dependência.

Com freqüência estes dependentes de drogas vivem marginalizados da sociedade e caem na delinqüência para procurar nas ruas este derivado da morfina, geralmente de má qualidade. Seu estado físico e psíquico necessita de permanentes cuidados. Os tratamentos para a desintoxicação mais tradicionais não têm efeito sobre eles.

Os viciados em heroína estão divididos em dois grupos, de forma arbitrária, para a comparação dos resultados. Um grupo de controle recebe uma dose de metadona diária durante 12 meses, um tratamento clássico.

O segundo é o grupo experimental. O paciente se apresenta três vezes por dia a um centro especializado de um hospital, onde recebe uma injeção de heroína. O tratamento é mais longo, 24 meses, interrompido por um determinado período. O acompanhamento psicológico do paciente também é realizado. Depois desse período são prescritas novas terapias - com tratamentos psicológicos e medicamentos.

Os primeiros resultados mostram que a utilização de heroína como medicamento é mais eficaz para curar pessoas fortemente dependentes.

Os médicos encarregados do estudo constataram uma clara melhoria no estado de saúde de seus pacientes, uma diminuição significativa da delinqüência e do consumo de drogas, até que a dependência chegue ao fim.

Entre os curados com metadona, 55,2% não voltam a consumir drogas, enquanto que entre os curados com heroína 69,1% abandonam definitivamente o vício.

O estudo será concluído em junho de 2006. A responsável governamental na luta contra as drogas, a social-democrata Sabine Baetzing, espera que o parlamento federal alemão (Bundestag) aprove uma lei autorizando o uso da heroína como meio terapêutico.

O tratamento já foi testado em Suíça e Holanda, também em condições muito restringidas.

Vários políticos da coalizão governamental liderada pela chanceler Angela Merkel se posicionaram contra esta proposta. Entre aqueles que se opõem estão vários especialistas em saúde da União Democrata Cristã (CDU), como Jens Spahn. Spahn declarou ao jornal Berliner Zeitung que esta iniciativa deixaria "as portas abertas para as drogas pesadas".

Esta não é a opinião da ministra democrata-cristã (CDU) de Assuntos Sociais do Estado federado de Baden-Wuerttemberg (suroeste), Monika Stolz, que declarou recentemente ao Berliner Zeitung que "curar de forma controlada grupos com forte dependência da heroína, ou seja, toxicômanos submetidos a tratamentos convencionais sem grande efeito, é uma nova etapa no combate contra a dependência de drogas".

O estudo custou 20 milhões de euros e foi financiado pelo governo federal e pelas cidades participantes. O custo de três doses de heroína por dia não é baixo, e este argumento é utilizado pelos que defendem o uso deste dinheiro na luta contra as drogas.





AFP




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