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Ciência
Quinta - 11 de Maio de 2006 às 12:00

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O financiamento de países ricos a projetos energéticos em países em desenvolvimento somou 2,7 bilhões de dólares em 2005, por meio de acordos firmados sob o Protocolo de Kyoto, disse o Banco Mundial nesta quarta-feira.

O Protocolo de Kyoto, um tratado contra o aquecimento global, permite que empresas e investidores de países mais ricos invistam e lucrem com a redução de emissões de poluentes em países mais pobres.

O investimento em países em desenvolvimento é parte de um mercado global de carbono (o principal poluente responsável pelo aquecimento) que duplicou e atingiu US$ 11 bilhões em 2005, segundo o terceiro relatório anual do Banco Mundial sobre o comércio de carbono, divulgado em uma conferência sobre o tema em Colônia.

"O maior motivo de comemoração é a participação dos países em desenvolvimento", disse Karan Capoor, do Banco Mundial, co-autor do estudo.

O mercado global de carbono funciona porque algumas empresas podem reduzir a poluição de forma mais barata que outras, permitindo que aquelas vendam o seu "direito" de poluir, na forma de bônus chamados "créditos de carbono".

Investidores de países ricos podem lucrar com a diferença nos preços dos créditos de carbono em várias partes do mundo.

"É uma situação em que todos ganham. Ganha o país e ganha o patrocinador financeiro que faz dinheiro com esse investimento", disse o ministro paquistanês do Meio Ambiente, Malik Khan, na conferência. "Isso mostra que a proteção do meio ambiente será a chave para o desenvolvimento econômico."

O Protocolo de Kyoto obriga cerca de 40 países industrializados a reduzirem suas emissões de carbono até 2012. Embora o comércio de carbono já esteja a todo vapor, os compradores só poderão depositar os créditos em suas contas a partir do ano que vem.

Já há mais de 750 projetos definidos, o que pode permitir que até 2012 haja a redução de 1 bilhão de toneladas de emissões de gases do efeito estufa - sendo 940 milhões de toneladas de dióxido de carbono até agora -, segundo a administração do mecanismo.

O mercado europeu de carbono representa a maior fatia do total em 2005 - US$ 8,2 bilhões. Isso permitiria que o poluente setor industrial do continente cumpra suas metas de redução comprando créditos.

Em 2005, o Japão foi o maior comprador individual de créditos, com 38% do total da redução prevista de emissões. O Japão tenta cumprir suas metas de Kyoto reduzindo a poluição no país.

O maior vendedor de créditos foi a China, 66% do total. O país pretende ampliar sua capacidade energética em 160 gigawatts até 2010, e essa ampliação, junto com medidas previstas de maior eficiência energética, oferece um grande território para o investimento em energias limpas.

"O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo é um bom mecanismo para deixar países desenvolvidos e em desenvolvimento juntos contra o aquecimento global", disse na conferência Gao Guangsheng, diretor do Escritório Nacional de Alterações Climáticas da Comissão de Desenvolvimento e Reforma da China.





Reuters




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