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Ciência
Sexta - 12 de Maio de 2006 às 10:17

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O enorme apetite da China por papel está aumentando a expansão de fábricas e acelerando a perda de florestas em países como Indonésia. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (11/05/06) por um instituto de pesquisa global.

David Kaimowitz, diretor-geral do Centro de Pesquisa Internacional de Florestas (CIFOR), disse que estão sendo construídas enormes fábricas de celulose sem que os financiadores, como o Banco Mundial, monitorem estes locais.

Isso leva à destruição de florestas virgens, já que as novas fábricas buscam fontes baratas de material para cumprir as metas de produção.

"É realmente impressionante como poucas pessoas estão monitorando o tema de fornecimento de madeira", disse ele a respeito da Indonésia, no momento em que o CIFOR divulga um estudo de oito anos sobre a indústria mundial de polpa de celulose(http://www.cifor.cgiar.org/docs/_ref/media/release/2006/pulp/index.htm).

O estudo verificou 67 projetos de fábricas de papel. O CIFOR estima que o setor receba investimento de entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões nos próximos 10 ou 15 anos, e cerca de US$ 40 bilhões foram gastos nos últimos 10 a 15 anos. "O mercado chinês está provocando um grande crescimento no mercado de papel e celulose mundiais. E depois da China - com dez ou 15 anos de diferença - podemos ver que a Índia poderá terá uma história similar", disse Kaimowitz.

O estudo disse que indústrias, como Asia Pulp and Paper (APP) e Asia Pacific Resources International Ltd. (APRIL), da Indonésia, costumam superestimar o material disponível em plantações de madeira. A APRIL e a APP negaram irregularidades.

"A empresa tem uma operação totalmente sustentável", disse em comunicado o presidente da APRIL, A.J. Devanesan.

Demanda

Chris Barr, cientista político da CIFOR, calcula que a demanda chinesa por papel e papelão atingirá 68,5 milhões de toneladas em 2010. Em 2003, o número foi de 48 milhões de toneladas e em 1990, de 14,6 milhões.

A China é o segundo maior produtor mundial de papel, depois dos Estados Unidos, e precisa cobrir grande parte de sua necessidade com importações. A proibição de corte de madeiras e o fechamento de indústrias pequenas e poluidoras, que usavam resíduos agrícolas, contribuem para isso.

"O crescimento da demanda na China vai exacerbar as atuais pressões sobre as florestas naturais e dar mais incentivos para o corte ilegal", disse Kaimowitz, acrescentando que provavelmente também isso fará recorrer ao Brasil e à Indonésia, onde a política para florestas é fraca.

O Greenpeace disse em março que a China é o coração do comércio mundial de madeira ilegal de florestas do Sudeste Asiático, por fabricar móveis de compensado com material proveniente de cortes ilegais.

O CIFOR exortou instituições financeiras, incluindo grupos privados, a fazerem mais esforços para adquirir informações sobre o fornecimento de madeira e pelo uso de auditores independentes antes de darem empréstimos.

Kaimowitz disse que bancos como o International Finance Corp (IFC) não estão verificando as fontes de madeira nem mesmo no projeto de US$ 1,7 bilhão que está sendo construído no Uruguai, para o qual prometeu um estudo ambiental depois de fortes protestos contra a poluição que pode gerar.

O IFC está procurando problemas como poluição da água, motivo principal dos protestos, mas não está monitorando o fornecimento de madeira nas indústrias que serão construídas pela Metsa-Botnia, da Finlândia, e pela Ence, da Espanha, disse. "É bem possível ter enormes indústrias com dificuldades de receber a quantidade suficiente de madeira", disse.

O IFC não comentou o caso de imediato.





Reuters




URL Fonte: https://homenews.com.br/noticia/3783/visualizar/