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Arqueologia
Segunda - 15 de Maio de 2006 às 12:22

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Arqueólogos descobriram no Amapá o que parece ser o maior observatório astronômico do Brasil pré-colonial. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo na última sexta-feira (12/05/06).

O observatório é formado por 127 blocos de granito distribuídos em intervalos regulares por uma clareira, a 16 quilômetros do município de Calçoene e a 390 quilômetros de Macapá.

Arqueólogos que estudam a descoberta acreditam que só uma sociedade com uma cultura complexa poderia ter construído o monumento. O achado contribui significativamente para acabar com a idéia de que a Amazônia nunca abrigou sociedades desenvolvidas.

2.000 anos de idade

De acordo com os arqueólogos, ainda não foi possível precisar a idade do observatório. Mas, os pesquisadores acreditam que ele teria entre 500 e 2.000 anos de idade. A estimativa foi baseada em fragmentos de cerâmica encontrados junto aos blocos de pedra, alguns com três metros de altura.

Apesar da estimativa, somente através de escavações, que começam agora, será possível saber a idade do observatório.

Segundo a arqueóloga Mariana Petry Cabral, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), o monumento já era conhecido pela população local há muitos anos, mas jamais havia sido estudado. A importância do achado arqueológico só foi reconhecida quando técnicos do Iepa e da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração foram realizar um levantamento econômico da área e tiveram a atenção despertada pelo alinhamento das pedras.

As pedras estão dispostas de forma a marcar o solstício de inverno. Os arqueólogos já descobriram que em dezembro, o Sol passa exatamente pelo meio de uma das pedras. Por isso, Mariana acredita que o local tenha sido uma espécie de templo, que também era usado como observatório astronômico.

Sabe-se que antigos povos da Amazônia se orientavam pela posição das estrelas e as fases da Lua para plantar e realizar rituais religiosos.

Para os pesquisadores do Iepa, o monumento do Amapá é o Stonehenge da Amazônia — uma alusão ao complexo monolítico de Stonehenge, em Salisbury, sul da Inglaterra. Stonehenge é uma espécie de altar de pedras e teria sido erguido há 5.000 anos. Até hoje, não se sabe exatamente qual sua função nem quem o ergueu. O modo como as pedras enormes foram levadas pera o local também permanece um mistério.

O monumento da Amazônia traz os mesmos mistérios. Os arqueólogos não sabem que povo pode tê-lo construído e qual era sua função exata. A tecnologia empregada para cortar e transportar as pedras para o lugar e dispô-las em círculo também é uma incógnita.

Alguns estudiosos acreditam que povos antigos teriam uma técnica de liqüefação da pedra, uma forma arcaica de preparar o cimento, com o qual, contruíam grandes blocos para construções de monumentos e pirâmides. Por essa vertente de pensamento, tais povos não necessitariam transportar os monolitos (blocos de pedras) para o local da construção, mas sim, fazê-los no local, simplificando assim o trabalho. Mas essa teoria, ainda não foi confirmada.

Para o grupo do Iepa, as pedras foram levadas de barco e chegaram ao local por um braço de rio conhecido como Rego Grande.

Povos Antigos

Até a chegada dos europeus, a Amazônia abrigava numerosas culturas, a grande maioria delas hoje extinta. Esses povos desenvolveram formas distintas de trabalhar suas cerâmicas.

Sabemos muito pouco sobre a arqueologia do Amapá. Mas um fato é que a região tinha muitas etnias — explica Mariana Petry Cabral.

Ela está convicta, porém, que um povo capaz de erguer um monumento tão impressionante certamente pertencia a uma sociedade bem organizada. Os pesquisadores já descobriram um fragmento que parece ter sido parte de uma urna funerária. Nele há a marca de uma mão, uma característica já encontrada algumas culturas da Amazônia.

Moradores nos contaram que acharam no lugar há alguns anos duas urnas funerárias. Temos esperança de encontrar mais — diz a arqueóloga.

Descobertas recentes por toda a Amazônia vêm aos poucos escrevendo uma nova história da ocupação da floresta. Cada vez mais indícios de culturas bem organizadas, algumas surgidas há mais 5.000 anos, são encontrados.






Redação HomeNews




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