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Sexta - 08 de Novembro de 2002 às 11:26

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SÃO PAULO (Reuters) - Jogar videogame por horas a fio em um salão escuro cheio de computadores, tomado por gritos como "planta a bomba", "atira" ou "evolui as torres" está se tornando um dos mais novos divertimentos dos grandes centros urbanos do Brasil.

Reunidos em "lan houses" (casas de jogos em rede), milhares de jogadores de todas as idades comparecem todos os dias nas cerca de 400 lojas do tipo que existem hoje no país, segundo dados da indústria de videogames. A atividade começou há cerca de três anos no Brasil e tem origem na Coréia do Sul, onde o número de lojas de jogos em rede chega a dezenas de milhares.

Os números do Brasil sobre o mercado não são precisos, pois não há entidade ou empresa dedicada a acompanhar a evolução da atividade.

Porém, na avaliação do gerente de marketing da Vivendi Universal Games do Brasil, Gerson Souza, "é indiscutível que os jogos em rede estão crescendo e que viraram moda nos últimos seis meses". A Vivendi é produtora do game "Half Life", cuja versão "Counter Strike" é a mais jogada nas "lans houses" do país, com um ritmo de crescimento de vendas de 10 por cento ao mês.

Em plena ascensão, o mercado conta com algumas cadeias de lojas no eixo Rio-São Paulo e várias outras administradas por empresários independentes. A Monkey é a principal rede, com 32 lojas franqueadas --a maioria na cidade de São Paulo-- e com planos de chegar a 150 em 2003 com a abertura de novas lojas nas regiões Sul e Nordeste do país.

Os planos de crescimento baseiam-se em estudos feitos pela Monkey, que tem 150 mil clientes, sobre o tamanho do mercado brasileiro. Segundo o presidente da Monkey, Sunami Chun, no próximo ano deve haver abertura de 2.000 lojas do ramo.

O diretor superintendente da distribuidora e produtora de games Brasoft, José Vilar Campos, é mais contido: "Eu creio que esse mercado de 'lan house' deve praticamente dobrar em 2003", o que significaria a abertura de 400 novas "lans houses" no próximo ano.

Os executivos do setor, contudo, prevêem que o crescimento do setor será marcado também por um grande desaparecimento de lojas financiadas por independentes.

"Tem muitos oportunistas no mercado, eu acho que eles vão sair e vão ficar somente os profissionais", espera Souza, da Vivendi.

Como um todo, o setor de videogames para computadores deve faturar este ano entre 45 milhões de reais a 50 milhões de reais no Brasil, segundo dados da indústria. Isso poderia ser maior se não fosse o índice de pirataria de 80 por cento do setor, disse Campos, da Brasoft, que considera as "lan houses" como mais um canal de venda para as produtoras de software.

A Monkey deve faturar este ano cerca de 10 milhões de reais, quase cinco vezes mais que o 1,8 milhão de reais que obteve de receita em 2001.

ALTOS CUSTOS

As lojas de jogos em rede podem funcionar até de madrugada e precisam de poucos empregados, mas os computadores de uma "lan house" precisam ser atualizados a cada pelo menos seis meses com novas, e caras, placas de vídeo, por exemplo. Isso sem contar o investimento inicial de pelo menos 200 mil reais para a abertura de uma loja com 30 computadores, cujos preços são altamente influenciados pela alta do dólar.

O faturamento vem do aluguel das máquinas por cerca de 4 reais por hora e da venda de produtos como alimentos e bebidas. Segundo a Monkey, dependendo da localização, as vendas de uma loja podem chegar a 30 mil reais por mês.

TERRORISTAS CONTRA POLICIAIS

O Counter Strike é um dos jogos mais disputados do mundo. O game é jogado em equipes de terroristas e policiais cujo único objetivo é arrasar o inimigo com tiros de pistolas, fuzis, escopetas e metralhadoras.

"O game permite a interação entre as pessoas. Precisa de estratégia. É como se fosse jogar futebol com os amigos", afirma o executivo da Vivendi.

O jogador Carlos Henrique, 20, concorda. O assistente de clínica radiológica joga o game todos os dias na loja da Monkey no bairro de Morumbi, em São Paulo, há seis meses. "Venho para jogar com o pessoal", afirma ele, que parou de jogar videogames em casa depois que passou a frequentar "lan houses".

Apesar de considerar o game "muito violento", a figurinista Adriana Lartigue de Miranda, 36, gasta pelo menos 300 reais por mês com os três filhos em idade escolar que frequentam a loja. "Eles jogam com os amigos, por isso dou liberdade para virem", disse ela.

Alberto Alerigi Jr




URL Fonte: https://homenews.com.br/noticia/382/visualizar/