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Ciência
Terça - 04 de Julho de 2006 às 13:23

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O grupo de cientistas franceses responsável pelo primeiro transplante de rosto avalia os resultados do histórico procedimento em artigo publicado nesta terça-feira (4/7), na edição eletrônica da revista médica The Lancet.

A cirurgia foi realizada em novembro de 2005, em uma mulher de 38 anos que havia perdido os lábios, nariz, queixo e partes de ambos os lados da face ao ser atacada por um cachorro. As mordidas danificaram os tecidos da face até o nível do esqueleto e dentes.

“Como a reconstrução convencional de tecido exigiria pelo menos quatro ou cinco operações para recuperar as quatro unidades anatômicas perdidas, e provavelmente levaria a resultados estéticos e funcionais ruins, o alotransporte de tecido composto foi escolhido como opção terapêutica para reconstruir o rosto do paciente”, disseram os autores no artigo.

O transplante foi bem-sucedido. Os médicos fizeram implante de pele, gordura e vasos sangüíneos, que foram removidos de uma doadora com morte cerebral. Segundo os autores, o rosto resultante é um híbrido, diferente do da paciente e do doador.

No artigo, os pesquisadores, liderados por Bernard Devauchelle, do Departamento de Cirurgia Maxilofacial do Hospital Universitário em Amiens, descrevem o detalhado processo que envolveu antes, durante e os quatro meses seguintes à inédita cirurgia.

“As conseqüências demonstram a viabilidade do procedimento. O resultado funcional será mais bem avaliado no futuro, mas a montagem pode ser considerada bem-sucedida em relação à aparência, sensibilidade e aceitação por parte do paciente”, disseram os pesquisadores.

Em comentário sobre o artigo publicado no mesmo dia, Patrick Warnke, da Universidade de Kiel, na Alemanha, chama o transplante de “novo marco na medicina”, mas alerta para problemas potenciais, especialmente de rejeição. “A técnica do alotransplante exige uma imunossupressão vigorosa e por toda a vida. Falhas no regime escolhido podem se mostrar devastadoras, com a possível perda do rosto transplantado a qualquer momento”, disse.

A paciente, posteriormente identificada como Isabelle Dinoire, disse cinco meses depois ter recuperado a sensibilidade total de seu rosto. Consegue falar e se alimentar. Ainda sob vigilância médica, a francesa exibe cicatrizes e um pequeno problema de simetria facial.

Em abril, o segundo transplante facial parcial foi feito na China, em Li Guoxing, de 30 anos, que havia sido atacado por um urso. O procedimento envolveu dois terços do rosto.





Agência Fapesp




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