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Ciência
Sexta - 22 de Setembro de 2006 às 11:17

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Pela primeira vez, uma equipe de médicos franceses fará uma operação cirúrgica em ambiente de ausência de gravidade, uma proeza que abre novas perspectivas para cirurgias tanto em vôos espaciais quanto na Terra.

Durante um vôo de três horas a bordo de um avião capaz de recriar as condições de um ambiente sem gravidade, o professor Dominique Martin, chefe do serviço de cirurgia plástica do hospital universitário de Bordeaux (sudoeste), deve operar na quarta-feira um paciente voluntário que tem um cisto sebáceo no antebraço.

Presos por grades de contenção e tiras de pano ao chão da aeronave, a equipe médica será composta por três cirurgiões e dois anestesistas, além de militares, detalhou nesta quinta-feira Martin durante uma entrevista coletiva.

Os instrumentos cirúrgicos, menores do que os de uma sala de operação comum, deverão ficar sobre potentes ímãs instalados ao lado do paciente. Os instrumentos, assim como o material para anestesia e ressuscitação foram desenvolvimentos pela empresa Ascensud, especialista em elevadores.

"Desde fevereiro, fizemos repetições desta operação em terra e num avião. Para nós, tudo está preparado", assegurou o cirurgião.

Este projeto único começou em outubro de 2003 quando Martin e seu colega anestesista, Laurent de Coninck, realizaram uma microcirurgia em condições espaciais numa artéria de 0,5 milímetro na cauda de um rato, uma intervenção que exigiu gestos de extrema precisão.

Estava aberto o caminho para uma intervenção em seres humanos. "Mas um transplante renal ou cardíaco não é possível. As intervenções serão limitadas à traumatologia", explica de Coninck.

"Hoje mais de 400 pessoas já foram ao espaço. A probabilidade de que haja traumatismos durante uma missão será cada vez mais provável, enquanto fazer o ferido retornar à Terra representa um perigo para a pessoa, além de um custo elevado", argumenta.

Mas os cirurgiões não podem embarcar em todos os vôos espaciais, "daí a importância da telecirurgia", destaca de Coninck.

A operação de quarta-feira permitirá estabelecer procedimentos de telecirurgia com base operacional no solo e um robô situado no avião, que executará movimentos comandados via satélite. Este projeto, que deverá terminar em 2007, acaba de receber o aval da Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês).

Martin também espera participar dos trabalhos de pesquisa da ESA na futura base lunar, que poderá estar operando em 10 ou 15 anos.

"Como os vôos de longa duração para Marte não estão previstos para amanhã, a experiência permitirá desenvolver métodos de trabalho e utensílios em miniatura que poderão ser usados em condições terrestres extremas, como em missões ao Pólo norte", argumenta Guy Laslandes, diretor do programa Ariane V no Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES).

As unidades operatórias desmontáveis construídas com base no módulo embarcado na quarta-feira também podem ser transportadas para grutas ou locais de difícil acesso, após terremotos, ressalta a equipe médica.

Segundo os médicos, várias ONGs já estão interessadas na produção de um protótipo.




AFP




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