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Ciência
Sexta - 29 de Setembro de 2006 às 09:55

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Plantas são capazes de sentir cheiro. A afirmação foi feita pela cientista brasileira Consuelo de Moraes, que vive nos Estados Unidos já há 10 anos. De acordo com a pesquisadora, as plantas podem detectar odores, mas não exatamente como os animais fazem. No lugar do nariz, estão receptores olfativos.

Moraes estudou uma pequena trepadeira parasita, chamada Cuscuta pentagona. Quando adulta, essa planta forma belas e pequeninas flores. Mas para se desenvolver, ela precisa encontrar um hospedeiro. Entretanto, isso não é muito fácil. Nessa fase, a C. pentagona é muito pequena e frágil, parecida com um fiozinho de macarrão verde.

“Ela não tem raiz. Para falar a verdade, antes de se fixar em um hospedeiro, ela não tem basicamente muita coisa”, explicou a pesquisadora, que atualmente dá aulas na Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e que publicou seu estudo na edição desta semana da revista "Science".

Segundo Moraes, depois de germinar, a C. pentagona tem pouco mais de cinco dias para procurar uma planta hospedeira, encontrar e se fixar. O grande desafio era entender como ela faz isso.

“A planta precisa determinar onde está um possível hospedeiro, antes de se dirigir até ele. Porque não tem tempo para se dar ao luxo de sair por aí subindo em todas as plantas do caminho para verificar qual é a adequada. Não há tempo e ela não é dos organismos mais ágeis”, disse.

De acordo com a cientista, a C pentagona faz a busca de seu hospedeiro de um jeito muito mais simples do que se imaginaria: através dos receptores olfativos.

"Ela sente o cheiro da outra planta, mesmo a uma grande distância. Através do odor, ela detecta onde o futuro hospedeiro está e se ele será adequado para fixação”, explica Moraes.

A pesquisa de Moraes é a primeira a provar que plantas, além de emitir cheiros, também podem captar odores. Para isso, ela utilizou os recursos de seu laboratório na Universidade da Pensilvânia, que já estuda odores emitidos por plantas há alguns anos.

"Nós já suspeitavámos que esse parasita seguia cheiros. Para comprovar, fomos testando sua resposta a diversos estímulos. Testamos como ela reagia a diferentes composições de solo e de água, por exemplo. Nada obteve resultado", conta a cientista. "Quando a expusemos aos odores liberados por um pé de tomate, que é um de seus hospedeiros, no entanto, ela cresceu e foi buscar onde estava o hospedeiro".




Redação HomeNews




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