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Informática
Sexta - 16 de Agosto de 2002 às 08:47

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SÃO PAULO (Reuters) - O cenário econômico desfavorável no país --com alta do dólar, cautela das empresas e indefinição do governo federal, aliado à queda do poder aquisitivo do consumidor final-- pode levar a taxa anual de crescimento das vendas de computadores pessoais a cair pela primeira vez, informou na quinta-feira a IDC Brasil.

A empresa de pesquisa de mercado, presente no país há 10 anos, baseia a avaliação no fato de que desde o começo do ano o dólar valorizou-se 30 por cento em relação ao real, o que deve forçar o aumento de preços dos PCs na segunda metade do ano.

Além disso, a prometida informatização das escolas públicas do país, que renderia contratos para compra pelo governo de 230 mil computadores, ainda não saiu do papel. E os investimentos corporativos na área de tecnologia da informação estão sendo pontuais.

"Se o quarto trimestre (que inclui as festas de final de ano) não for muito bom, é provável que em relação ao ano passado as vendas de computadores no país fiquem negativas em três por cento", disse o analista da IDC Brasil Marcelo Quintãs, acrescentando que seria o pior resultado da história do setor no país.

Em 2000, a base de computadores cresceu 35 por cento. No ano passado, um dos piores da indústria --marcado por racionamento de energia, crise argentina e ataques de 11 de setembro-- o crescimento do setor viu-se reduzido a oito por cento. Atualmente existem no país cerca de 15 milhões de computadores pessoais, o que equivale 1 micro para cada 11 habitantes.

FABRICANTES PESSIMISTAS

Duas das principais fabricantes de computadores do país --ambas nacionais-- também têm perspectivas pessimistas para este ano.

A Itautec afirmou que deve reajustar os preços neste trimestre e que está revendo as metas de vendas para o ano. Já a Metron reduziu de 25 por cento para entre 10 e 12 por cento a perspectiva de crescimento dos negócios em 2002.

Segundo a IDC Brasil, foram vendidos no segundo trimestre 803 mil computadores, queda de cinco por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

Tradicionalmente o segundo trimestre é pelo menos 10 por cento superior ao período entre janeiro e março. Porém, "isto não ocorreu desta vez, pois as vendas foram prejudicadas pela alta do dólar, pela instabilidade econômica e pela greve dos auditores da Receita Federal", está última por prejudicar o fornecimento de componentes importados para a indústria, afirmou Quintãs.

DÓLAR É VILÃO DOS COMPONENTES

A alta do dólar tem impacto direto nas fabricantes de computadores, já que quase todos os componentes são importados. Na previsão do analista da IDC, os preços dos equipamentos devem subir 20 por cento ou mais no atual semestre.

Ele recomenda a quem quer comprar computador para aproveitar agora os atuais estoques do varejo, um dos setores mais atingidos pela desaceleração nas vendas de PCs.

"Esperávamos crescimento da ordem de 15 por cento nas vendas de computadores para usuários domésticos este ano, mas isso deve ficar entre três e cinco por cento", disse o analista da IDC.

A instabilidade na economia brasileira aumentou o índice de inadimplência, forçando alta de juros e redução do número de prestações ofertadas em financiamentos ao consumidor, segundo o analista.

Apesar dos problemas este ano, o analista da IDC Brasil vê com otimismo o próximo ano, com estabilização do cenário político pós-eleições.

"As licitações do governo devem ser retomadas com a instalação de um novo governo (...) O Brasil tem um potencial enorme de compra, o que existe hoje é instabilidade que freia o consumo", avaliou Quintãs.

Dados da IDC indicam que o mercado latino-americano de computadores representa seis por cento das vendas globais do setor, com 8,05 milhões de PCs comercializados em 2001. O Brasil é o maior mercado da região, com 41,7 por cento de participação, na frente do México, com fatia de 24,2 por cento.




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