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Saúde
Segunda - 19 de Agosto de 2002 às 10:59

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(Reuters) - Uma nova droga da Pfizer, que aguarda aprovação nos Estados Unidos, promete revolucionar o tratamento de uma doença pulmonar associada ao fumo que é a quarta causa de morte nos Estados Unidos, disseram médicos e analistas.
O medicamento inalável pode se tornar o mais novo produto de grande venda do laboratório. Com o nome de Spiriva, promete ser o novo tratamento de primeira escolha de cerca de 16 milhões de norte-americanos diagnosticados com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), e um número equivalente de pessoas que ainda não foram diagnosticadas.

"O Spiriva provavelmente vai revolucionar o tratamento da DPOC, pois nenhuma outra droga é realmente eficaz. Pretendo usar o medicamento como uma terapia de primeira linha quando ele estiver disponível", disse Zab Mohsenifar, diretor de atendimento pulmonar do Centro Médico Cedars Sinai, em Los Angeles.

A DPOC consiste no bloqueio persistente das vias aéreas normalmente causado por uma combinação de enfisema -- destruição das paredes dos sacos aéreos nos pulmões -- e bronquite crônica, uma tosse persistente que produz escarro.

Noventa por cento dos casos são entre fumantes, embora apenas 20 por cento dos fumantes desenvolvam a doença.

"Ter DPOC é muito incapacitante e difícil de tratar. É como ter de usar uma máscara de plástico que não permite que você expire", disse Mitchell Friedman, chefe de doenças pulmonares da Universidade Tulane.

A Pfizer, com sede em Nova York, lançou recentemente o Spiriva na Europa com a Boehringer Ingelheim, laboratório alemão que desenvolveu a droga.

Em dezembro, as companhias entraram com o pedido de aprovação do medicamento junto à Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de drogas e alimentos dos EUA. Elas esperam lançar o produto no início do próximo ano nos EUA.

Um painel conselheiro da FDA deve revisar o pedido durante um encontro em Washington, em 6 de setembro.

As pessoas com DPOC normalmente fumam durante décadas, até chegar na casa dos 50 anos, antes dos sintomas aparecerem. Mas, quando a doença se manifesta, os pacientes já perderam 70 por cento da função pulmonar e começam a ter falta de ar e dificuldade para se exercitar.

Apenas três doenças matam mais norte-americanos (enfarte, derrame e outras doenças cardiovasculares), mas a incidência combinada diminuiu 50 por cento desde 1965, graças à prevenção a ao melhor atendimento. No entanto, a incidência da DPOC triplicou durante o mesmo período.

Spiriva, com uso uma vez ao dia, mostrou ser mais eficaz nos ensaios clínicos do que Atrovent, droga inalável usada três vezes ao dia e produzida pela Boehringer. O Atrovent é o tratamento-padrão da DPOC há mais de uma década.

Os dois remédios ajudam a abrir as vias aéreas ao bloquear a ação da substância química cerebral acetilcolina.

O efeito colateral mais comum do Spiriva foi secura na boca, observada em cerca de 16 por cento dos pacientes nos testes clínicos.

Shaojing Tong, analista de medicamentos da empresa de pesquisa de Nova York Mehta Partners, prevê que o Spiriva terá vendas anuais de pelo menos 1 bilhão de dólares.

"Essa seria uma estimativa conservadora, pois não existe nenhum tratamento eficaz no momento para DPOC, e os médicos estão esperando por esse tipo de descoberta", disse Tong.




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