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Ciência
Sexta - 13 de Dezembro de 2002 às 11:16

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O cientista Vasco Galhardo, do Instituto de Histologia e Embriologia da Universidade do Porto, está trabalhando com a utilização de multieletrodos para verificar como os neurônios reagem à dor.

Segundo Galhardo, que recebeu o prêmio Grunenthal 2002 pelo trabalho, o surgimento de um novo tratamento, em conseqüência da sua pesquisa, só poderá ocorrer a longo prazo.

“Um novo remédio só vai aparecer dentro de 15 a 20 anos. Ainda há muito trabalho ainda a ser feito para conhecer todas as consequências do tratamento através de estímulos elétricos”, afirma o pesquisador.

Orquestra

Uma pesquisa, usando ratos de laboratório, para verificar formas de intervir na dor através de impulsos elétricos deve começar dentro de um a dois anos.

No trabalho que está desenvolvendo, Galhardo procura registrar a atividade dos neurônios quando ocorre a dor crônica.

A técnica usada permite verificar o comportamento de grupos de neurônios e não de um único neurônio, como na maior parte das pesquisas realizadas até agora.

Segundo Galhardo, os neurônios "funcionam como uma orquestra", com grande variedade de respostas aos estímulos da dor. Caso fosse analisado apenas um neurônio, não seria possível compreender o conjunto.

Acupuntura

Galhardo faz parte do grupo de estudo sobre a dor, formado há mais de 20 anos na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

A pesquisa que desenvolve tem como tema os componentes centrais da dor – se a dor crônica deixa marcas permanentes nas células do sistema nervoso central ou se as marcas são na comunicação entre as células.

Até agora, uma das conclusões é que as marcas da dor ocorrem na comunicação entre as células. Segundo Galhardo, com as dores crônicas, altera-se o padrão de funcionamento do sistema nervoso.

A respeito da acupuntura, Galhardo afirma que a estimulação de pequenas terminações nervosas fazem com que endorfina seja liberada, com efeitos benéficos a quem sente dor. “Mas não se sabe como esses estímulos na pele atuam no sistema nervoso central”, diz o pesquisador.

Anestesiados

No trabalho, os ratos foram anestesiados e expostos a estímulos dolorosos.

Segundo Galhardo, existe um controle do Conselho Científico da Universidade do Porto a respeito dos tratamentos dados aos animais. “Eles avaliam os processos e o nível dos anestésicos”.

Apesar de anestesiados, as respostas dos nervos são semelhantes às situações normais.

“A anestesia apenas apaga o último estado do conhecimento, mas não altera as características fundamentais do funcionamento do sistema nervoso”.

Ele conta que a pesquisa não poderia ser realizada em países como a Inglaterra ou a Alemanha porque eles têm regulamentos mais rígidos em relação aos animais nas experiências.

“Na Inglaterra e na Alemanha não se pode induzir uma tendinite ou uma artrite em um animal. Como não se pode manter um animal três semanas anestesiados, isso inviabiliza a pesquisa", diz Galhardo.

Tetraplégicos

Além desse estudo, Galhardo também está envolvido em uma pesquisa em colaboração com a Universidade de Madri, com a Universidade de Essex, da Inglaterra, e com o laboratório Instituto Fraunhofer de Biomedicina de Saint Engelberg, na Alemanha.

“O estudo poderá ter aplicação em outras áreas, como em cegos e tetraplégicos. Se conseguirmos ler os sinais do cérebro, os músculos, através da estimulação nervosa, podem recuperar o movimento”, diz Galhardo.

Ele conta que, até agora, a maior parte dos estudos está voltada para as mensagens que vão do cérebro para os músculos, ordenando os movimentos, mas uma parte também muito importante são as respostas dos músculos dizendo que o movimento foi feito.

Por Jair Rattner
Fonte: BBC




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