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Saúde
Sexta - 23 de Agosto de 2002 às 08:57

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Por Anna Peltola

ESTOCOLMO (Reuters) - Os usuários de longo prazo de alguns dos telefones celulares de primeira geração têm um risco 80 por cento maior de desenvolver tumores cerebrais, comparados àqueles que não usaram os aparelhos, revela uma nova pesquisa sueca.

O estudo, publicado no European Journal of Cancer Prevention, avaliou 1.617 pacientes suecos diagnosticados com tumores cerebrais entre 1997 e 2000. Eles foram comparados a um grupo de controle sem tumores cerebrais.

Os cientistas descobriram que as pessoas que usaram aparelhos NMT (Nordic Mobile Telephone) tiveram um risco 30 por cento maior de desenvolver tumores no cérebro do que aquelas que não tinham esse tipo de telefone móvel, particularmente no lado do cérebro usado durante as ligações. Para as pessoas que usavam os telefones há mais de dez anos, o risco foi 80 por cento maior.

"Nosso estudo mostrou um risco maior de tumores cerebrais entre os usuários de telefones celulares analógicos. Para os telefones celulares digitais e telefones sem fio, os resultados não demonstraram um risco mais elevado no geral em um período de cinco anos", informou o estudo.

Dois grandes fabricantes de telefones celulares, no entanto, contestaram as descobertas de um risco maior de câncer.

O maior produtor de telefones móveis do mundo, a empresa finlandesa Nokia, afirmou que resultados de outros estudos conduzidos sobre os efeitos dos telefones móveis à saúde não apresentaram evidências de perigos aos usuários. A Nokia ainda produz dois modelos de telefones que funcionam no padrão NMT.

"Há cerca de 200 estudos feitos em diferentes áreas de telefones celulares e, com base nesses e no que revelam as evidências científicas, não existe risco à saúde com o uso de telefones celulares", disse Marianne Holmlund, diretora de comunicação da Nokia, à Reuters na quinta-feira.

Mikael Westmark, porta-voz da companhia suíça Ericsson, que produzia aparelhos NMT, afirmou: "O estudo e as conclusões diferem de pelo menos três outras pesquisas anteriores publicadas em diversas revistas científicas altamente conceituadas. Nenhuma dessas pesquisas verificou uma ligação entre os telefones celulares e o câncer."


PARA OS NÓRDICOS

A rede NMT foi inicialmente desenvolvida para servir os países nórdicos, com início das operações no início da década de 80. Posteriormente, a rede se tornou popular na Rússia e nos países bálticos.

Ela ainda é usada em mais de 40 países, mas foi substituída em muitos pelo sistema GSM (Global System for Mobile Communications), que deve ser gradualmente substituído pelas redes móveis de terceira geração.

Os telefones analógicos NMT estão em operação há 20 anos, o que possibilita o estudo do impacto de longo prazo da exposição às microondas nos usuários. No entanto, o pesquisador Kjell Hansson Mild disse que ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre os telefones digitais GSM amplamente usados atualmente.

"Nada pode ser dito sobre o GSM nesse estágio", disse Hansson Mild, co-líder do estudo.

"Esses são tumores que se desenvolvem de forma muito lenta, e o GSM não tem usuários que estão utilizando os aparelhos por dez anos", disse ele à Reuters.





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