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Informática
Terça - 28 de Janeiro de 2003 às 15:26

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LOS ANGELES (Reuters) - O vírus de computador que causou congestionamento de tráfego na Internet e fechou redes corporativas vulneráveis no final de semana pode ter sido um novo estímulo para o emergente mercado de seguro contra hackers, disseram especialistas na segunda-feira.

O seguro contra hackers, também conhecido como "seguro contra risco de rede'', está no mercado há três anos, mas espera-se que cresça de um faturamento anual de 100 milhões dólares para 2,5 bilhões até 2005, de acordo com projeções do setor de seguros.

O ataque contra a Internet neste final de semana, que virtualmente bloqueou todo o acesso à Web na Coréia do Sul e derrubou outras redes em todo o mundo, sublinhou a impossibilidade de segurança total para os computadores, disse Bruce Schneier, vice-presidente de tecnologia da Counterpane Internet Security.

"Acredito que dentro de uns poucos anos os seguros contra hackers serão ubíquos'', disse Schneier. "A idéia de que você precisa depender de prevenção é tão estúpida quanto construir um muro de tijolos em volta de sua casa. É um conceito simplesmente errado''.

Enquanto autoridades continuam a investigar a identidade do responsável pelo worm "SQL Slammer'', as empresas calculam o custo econômico do ataque, que continuam a crescer à medida que as companhias passam a depender mais da infra-estrutura da Internet para a condução de seus negócios.

Ao mesmo tempo, alguns especialistas em segurança questionaram se apólices de seguro seriam efetivas, dado o fato de que muitas delas excluem mais incidentes do que cobrem, levando em conta a imprevisibilidade do local e hora de um ataque.

Ainda assim, o segmento de seguro contra hackers recebeu grande estímulo em 1o. de janeiro, quando muitas apólices gerais expiraram e foram substituídas por novos contratos, que contêm exclusões específicas para prejuízos causados por hackers, disse o advogado Robert Steinberg, do Latham & Watkins, de Los Angeles, a clientes em comunicado recente.

"Particularmente se levarmos em conta o clima pós 11 de setembro, o medo quanto aos pontos vulneráveis e a subseq ente magnitude das perdas e seu impacto sobre a segurança nacional atingiu massa crítica'', escreveu ele. "Que os hackers representam um perigo para qualquer indústria ou tipo de empresa é um fato indiscutível agora.''

O SQL Slammer, um pequeno programa que pode passar desapercebido facilmente, também ressalta a crescente sofisticação e a natureza imprevisível dos ataques eletrônicos, tornando praticamente impossível quantificar seu impacto, afirmam especialistas.

Apesar das implicações econômicas de ataques de hackers serem pouco compreendidas, afirmou Steinberg, a administração dos Estados Unidos tem pressionado seguradoras a trabalharem com empresários para estabelecerem uma código para a infra-estrutura crítica do setor privado, assim como seguradoras tornaram o cinto de segurança um equipamento obrigatório.

Quase 70 por cento das apólices de seguro para redes são administradas pela AIG. A companhia oferece vários planos de cobertura. O mais caro inclui recompensa de 50 mil dólares para informação que leve à prisão de criminosos eletrônicos e dinheiro para contratação de uma empresa de relações públicas para reparação de imagem.

O preço varia bastante, de algumas dezenas de milhares de dólares para pequenas empresas até 1 milhão de dólares por uma cobertura de danos de 25 milhões de dólares, dizem especialistas.

Porém as companhias que contratam este tipo de seguro podem ter um produto que exclui mais do que cobre, diz Steinberg. Além disso, as seguradoras exigem a contratação de uma empresa independente para a verificação da segurança da rede do segurado, o que pode custar até 50 mil dólares, bem como evidência de que os administradores da companhia tomaram medidas razoáveis para protegerem sua rede de hackers.

Por Gina Keating




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