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Astronomia
Terça - 18 de Março de 2003 às 12:48

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Um novo tipo de telescópio europeu, instalado no mar Mediterrâneo a 2.400 m de profundidade, pode ser a chave para as respostas dos segredos da criação do universo através da observação de partículas elementares, os neutrinos.

Os neutrinos são partículas infinitamente pequenas que bombardeiam a terra e a atravessam, sem deixar vestígios. "Algumas delas, chamadas de alta energia, vêm dos confins do universo, de núcleos de estrelas, pulsares ou restos de supernovas", explica John Carr, diretor de investigações do Centro de Física das Partículas de Marselha (Sul da França). Outras poderiam vir de buracos negros, que representam 90% do nosso universo e que continuam sendo um enigma para os astrônomos.

Desde a década de 70, os cientistas trabalham para conseguir extrair informação destas partículas com revelações sobre as estrelas, os buracos negros e o big-bang (explosão que teria dado orígem ao universo há 14 bilhões de anos).

No entanto, a observação dos neutrinos é uma tarefa complexa, já que interagem raramente com a matéria. Quando excepcionalmente um deles se choca com um átomo de matéria, transforma-se em outra partícula, o muon, portadora de uma carga elétrica que, debaixo d'água, produz um raio luminoso, chamado efeito Cherenkov, possível de ser medido graças a fotomultiplicadores.

A partir de 1993, depois das primeiras experiências realizadas no fundo de minas (para eliminar os raios cósmicos "parasitas"), cientistas russos instalaram captores em meio natural, no fundo do lago Baikal, e cientistas americanos fizeram o mesmo sob o gelo da Antártica.

Os europeos entraram na pesquisa em 1996 com o projeto Antares, dirigido pelo Centro de Física das Partículas de Marselha e a Comissão francesa de Energia Atômica. Além da França, outros seis países (Itália, Holanda, Alemanha, Espanha, Grã-Bretanha e Rússia) participam nos estudos.

O telescópio será ativado em meados de março pelo Nautile, submarino do Instituto francês de Investigações Oceanográficas (Ifremer). "O telescópio europeu no Mediterrâneo será dez vezes mais preciso que os instrumentos existentes até agora", afirmou John Carr.


*Com agências internacionais




URL Fonte: https://homenews.com.br/noticia/915/visualizar/