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Tecnologia
Segunda - 24 de Março de 2003 às 13:30

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(ABr) - Como produzir um supercomputador de R$ 5 milhões investindo apenas R$ 60 mil? O estudante de matemática e pesquisador do projeto Genoma Estrutural da Universidade Estadual Paulista (Unesp), João Carlos Câmera Júnior, de 23 anos, aceitou o desafio e criou um supercomputador capaz de processar em 12 horas o que as máquinas comuns levam 30 dias para fazer.

Aplicando a tecnologia Cluster Beowulf, o estudante montou em pouco mais de dois meses um supercomputador que unifica 16 PCs de alta velocidade, com 40 gigabytes de disco cada e um processador 120 vezes mais rápido que uma máquina convencional. Batizada de Pandora, a supermáquina tem quase um terabyte - 1 trilhão de bytes - de Memória RAM, e é capaz de fazer, em algumas horas, análises e desenhos de estruturas moleculares que levavam um mês para serem concluídos.

Aluno do último ano do curso de matemática do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Unesp, o estudante foi orientado pelo físico Walter Figueira de Azevedo Júnior. Coordenador de um grupo de pesquisa de estruturas tridimensionais de proteínas associadas ao estudo e produção de medicamentos contra o câncer, a tuberculose e a malária, Azevedo Júnior precisava de um supercomputador para agilizar a pesquisa.

Os computadores convencionais do laboratório constantemente apresentavam problemas atrasando o trabalho. Lentos e com memórias reduzidas, eles não agüentavam a etapa de 24 horas diárias de funcionamento e travavam toda vez que os cientistas precisavam testar um modelo de molécula tridimensional. O único supercomputador da Unesp, adquirido em 1998, por US$ 1,4 milhão, além de servir a vários departamentos da universidade não é adaptado para processar sistemas bimoleculares. A Unesp, que já buscava parcerias para comprar outro equipamento, lançou o desafio e acabou fazendo uma grande economia. O projeto Pandora foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Aluno destacado, Câmera Júnior criou seu primeiro software com oito anos de idade. Ele passou dois meses estagiando no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP), onde acompanhou, pela primeira vez, a montagem de um supercomputador projetado para processar cálculos de matemática pura. O estágio deu origem ao Pandora, montado em três meses no laboratório da Unesp.

O projeto de sete PCs interligados utilizado pelo supercomputador do CTA para fazer cálculos matemáticos, foi ampliado para 16 PCs e exigiu várias adaptações para conseguir processar desenhos de estruturas moleculares. O resultado não poderia ter sido melhor: “além de ser mais barato que o PC da IBM, o Pandora tem excelente capacidade de tráfego de dados e nunca travou”, comemora Câmera Júnior.

Mas é pouco provável que o estudante permaneça no Brasil por muito tempo. Perto de concluir a graduação, ele já recebeu vários convites para fazer pós-graduação no exterior e se mostra propenso a aceitar um deles. “Ainda não decidi o que fazer, mas devo sair do país”, admite, acrescentando que seu sonho é trabalhar numa grande empresa famacêutica

Por Mauricio Cardoso





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