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Tecnologia
Sexta - 11 de Abril de 2003 às 15:46

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Por Rodrigo Dutra, do HomeNews

O FBI, pretendendo acabar definitivamente com a péssima reputação que ganhou ao longo dos anos e aumentar o seu potencial no combate ao crime, revelou a maior mudança já ocorrida em suas metodologias de trabalho dos últimos cinqüenta anos: a compra e desenvolvimento de uma rede de computadores integrado a um sistema avaliado em US$ 600 milhões.

O Trilogy, como é denominado o novo aparato, tem como principal função verificar e filtrar a enorme quantidade de dados contidos nos arquivos dos federais norte-americanos.

Este novo “banco de memória”, já utilizado por 300 agentes e analistas da corporação, vai estabelecer relações entre os registros de 26 milhões de distritos policiais, segundo Wilson Lowery, um diretor executivo do FBI. A agência objetiva criar um arquivo virtual, que rastreie terroristas e outros criminosos, e que já esteja disponibilizado para a operacionalização até dezembro próximo. É esperado que esta database tenha 100 terabytes de informação extraídos de agências policiais distritais, estaduais e federais, assim como algum material fornecido pela mídia. O sistema acomoda elementos multimídia como áudio, vídeo e mapeamento geográfico em 3D.

Defensores da liberdade civil estão observando os trabalhos, esperando que o FBI apropriadamente faça um balanceamento entre as informações recolhidas e medidas que garantam a privacidade do cidadão.

Esta “extração” de dados por parte do governo provavelmente diminuirá os direitos de privacidade e aumentará as falsas acusações de pessoas inocente cometendo crimes, diz Lee Tien, conselheiro sênior da Electronic Frontier Foundation, uma instituição que cuida dos direitos legais do cidadão americano.

Tien também não se opõe a “algo que traga o FBI ao atual século. Nós achamos que o FBI deve se modernizar”. Mas, ele acrescenta, “se for feito de forma errada, nada poderá garantir a privacidade das pessoas”.

Devido a grande quantidade de dados inseridos no sistema, alguns erros podem ser facilmente introduzidos e dificilmente erradicados, de acordo com entidades que defendem os direitos legais. Além disto, algumas informações podem ser provenientes do Centro Nacional de Combate ao Crime (CNCC). O Departamento de Justiça recentemente retirou o CNCC da Ação de Privacidade de 1974, que garantia que este tipo de “catalogo” estava correto em suas análises. Wilson Lowery garantiu que somente informações obtidas legalmente constarão no “virtual case” do FBI.

Melhorar as ferramentas tecnológicas dos federais tem sido uma prioridade, diz Lowery. Apenas dois anos atrás, os agentes não podiam acessar a Internet e utilizavam maquinaria obsoleta (CPU com processadores Intel 386), que era novidade no final da década de 80. Um funcionário tinha que passar por 11 telas diversas para arquivar ou encontrar algum tipo de dado.

No último ano, o FBI comprou 22.000 novos computadores e construiu a sua própria rede local para controlar e administrar os quase 600 sites que compõem o sistema Trilogy.




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