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Astronomia
Segunda - 14 de Abril de 2003 às 17:14

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Más notícias para as pessoas que caçam extraterrestres: os planetas rochosos e acolhedores que são essenciais para sustentar a vida podem ser raras aberrações cosmológicas. O único motivo pelo qual estamos aqui é porque alguma estrela próxima explodiu perto do nosso jovem Sol exatamente quando o sistema solar estava se formando, afirma um matemático aplicado.

Thomas Clarke, da Universidade da Flórida Central em Orlando, prevê que a grande maioria de planetas da Via Láctea são gigantes de gás frígidos como Júpiter, com atmosferas hostis e sem superfície sólida sobre a qual seria possível caminhar.

"Em média, um sistema solar consiste em um extenso cinturão de asteróides rochosos e alguns planetas e luas gigantes de gás", diz Clarke. "É uma conclusão meio decepcionante."

Os astrônomos concordam que os planetas e as luas do nosso sistema solar se formaram em um disco giratório de gás e poeira ao redor do Sol. Nas regiões externas, gases frios e espessos se condensaram nos gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Nas regiões internas, partículas de poeira derreteram e se colaram, formando bolhas de rocha quente que esfriaram e se fundiram para formar Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

Mas não está claro por que a rocha se fundiu -o Sol então não era muito mais quente que hoje. Os astrônomos acreditam que o calor extra pode ter vindo do alumínio-26 radioativo que foi borrifado por uma estrela que explodiu a cerca de 50 anos-luz de distância, quando os planetas estavam se formando. Produtos da decomposição do isótopo, que tem uma vida média de 720 mil anos, foram encontrados em meteoritos.

Na conferência de Ciência Planetária e Lunar realizada na semana passada perto de Houston, Texas, Clarke sugeriu que sem o calor do alumínio a Terra não teria se formado. Enquanto rochas do tamanho de asteróides teriam se agregado no interior do sistema solar, elas não poderiam ter-se fundido e agregado para formar os planetas.

Segundo os cálculos de Clarke, as rochas sólidas simplesmente passariam voando umas pelas outras ou colidiriam e ricocheteariam como bolas de sinuca. Somente rochas derretidas e pegajosas se deformariam e perderiam energia em uma colisão, permitindo que se colassem e aumentassem, ele diz.

Mas a probabilidade de uma estrela explodir exatamente no momento e no local certos é muito pequena. As estrelas só explodem três ou quatro vezes por século em nossa galáxia. Clarke estima que a probabilidade de uma supernova acontecer a 50 anos-luz de qualquer novo sistema solar que está formando planetas é de apenas uma em 100. "Por isso seria de esperar que apenas uma fração dos sistemas planetários tenha planetas terrestres", diz Clarke.

Ele admite que um planeta pequeno e próximo como Mercúrio poderia se formar sem ser aquecido por alumínio radioativo, pois poderia estar suficientemente perto de sua estrela para que a rocha se fundisse. Mas esses planetas provavelmente permaneceriam quentes demais para que a vida prosperasse. A uma distância maior seria possível apenas a formação de asteróides e gigantes de gás geladas.

Os astrônomos já descobriram mais de cem planetas em outros sistemas solares. Todos são gigantes gasosos, que as atuais técnicas astronômicas têm melhores condições de detectar.

A Nasa e a Agência Espacial Européia têm planos de missões ambiciosas para descobrir planetas do tamanho da Terra, mas se Clarke estiver certo talvez não encontrem o que estão procurando. "É um pouco deprimente pensar que planetas como a Terra são tão especiais", diz Clarke.

Sua idéia é especulativa, e ele espera testá-la em simulações de computador. Mas caso se confirme poderá ajudar a explicar por que até agora não há sinais de civilizações alienígenas.


Por Hazel Muir, do New Scientist




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